Capim dourado do Tocantins
Fonte desta postagem: http://acao.globo.com/Acao/0,23167,GTS0-3776-339910,00.html
São iniciativas que investem na capacitação e na venda do artesanato produzido em várias cidades.
Ponte alta do Tocantins fica na entrada do Parque Estadual do Jalapão. O ouro do serrado atraiu novos talentos. Na casa de seu João, todos fabricavam telhas.
“Hoje tô fazendo capim dourado, né, fazendo brinco pra enfeitar a mulherada por aí, né? Dona Raimunda foi quem ativou o capim dourado. Ai o povo todo foi ensinando”, diz o artesão João de Ana.
“Eu morei um período no Jalapão aí quando eu vim pra cá eu estava desempregada e meu esposo também vi a matéria prima lá, vi que dava dinheiro para a Ponta alta. Foi muito difícil para mim para incentivar estas pessoas e que a renda ia ser um bom negócio pra gente”, diz dona Raimunda.
Para continuar trazendo benefícios às famílias que vivem do capim dourado, as associações estão investindo em capacitação. O desafio é valorizar a produção e criar peças diferenciadas.
“Qual que é a idéia nossa? Trazer pessoas que possam agregar qualidade, agregar designer diferenciado e fazer com que as mesmas gramas do capim dourado que eram utilizadas no produto, possam ser utilizadas agora em um outro produto elaborado pelas mesmas artesãs e artesãos aqui do estado, mas que isso redunde em uma renda maior pra elas”, diz Paulo Henrique Ferreira Massuia, superintendente do Sebrae.
“Dentro dessa coleção, nós temos a linha de natal, né? já prevendo já esse final de ano, já almejando, assim, brindes, montando algo diferente, coisa que ainda não tinha sido trabalhado aqui, dentro da linha de produtos da associação, que as artesãs já trabalham”, afirma Ada Gabriela Costa Santos, arquiteta e designer.
No artesanato tradicional, as peças são costuradas com a linha de seda extraída da palmeira do buriti. Na nova coleção, surgem outras propostas.
“Quando a gente viu esse preto aí, pra nós foi a pior coisa do mundo, adaptar esse preto aí nesse capim. Achei muito esquisito, mas aí depois a gente acostumou. Ficou maravilhoso!”, diz Maria Luíza Ramos da Silva, vice-presidente da associação.
A loja da fundação cultural, em Palmas, vende as peças produzidas pelos artesãos.
“A região do Jalapão fica no extremo leste do estado do Tocantins então geograficamente é muito distante da capital e dos maiores centros aqui do estado. Para os artesãos seria muito difícil, com recursos próprios, eles mostrarem esse artesanato e até mesmo comercializarem esses produtos”, afirma Sérgio Augusto Pereira Laurentino, presidente do Conselho Estadual de Cultura.
“Este selo significa que este produto foi adquirido nas dependências da Fundação Cultural, que passou pelo crivo de qualidade. Alguns não vem da maneira que deve ser apresentado. E também consta o nome do artesão e da comunidade em que ele foi produzido”, diz uma responsável.
A turista de Santa Catarina se encanta com o brilho com o ouro do cerrado.
“Não, eu não conhecia. Oiá assim a gente não diz que é de capim, né? É coisa muito linda!”, diz Neide Lourdes Chini, lavradora.
Foi nessa admiração que dona Durvalina apostou quando mudou do Jalapão para a capital, Palmas.
“Ele não tinha nome de capim dourado, era um capim, era só um capim que tinha na região do Jalapão. O pessoal passava e perguntava: “O que é isso”? Eu falei: “É um capim”. “Tem aonde”? “No Jalapão” e o povo entendia Japão. Aí chamava de Japão e tudo”, diz Durvalina Ribeiro de Souza, presidente da associação de artesãos.
Com determinação e habilidade, ela teceu uma história de sucesso. Hoje coordena a areja - associação dos artesãos da região do Jalapão.
“Nós ali era discriminado na região do Jalapão de primeira. era um deserto, um deserto que não tinha nada. Eles chamavam nós de jalapoeiros do pé rachado. porque dizia que nós morava num lugar que não tinha nem acesso carro, mas nós nunca desistiu da vida. Só vivo disso aqui, não trabalho com outra coisa. só no capim dourado e sou orgulhosa de ter a minha arte”, afirma dona Durvalina.
Clique na foto e assista o vídeo com matéria divulgada no Programa Ação da Rede Globo (em 04/03/2010):
















